



Projeto de uso dos laboratórios
PREFEITURA MUNICIPAL DO NATAL
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO
DEPARTAMENTO DE ENSINO - SETOR DE ENSINO FUNDAMENTAL - PROINFO
Informática no Contexto Escolar da Rede Municipal de Natal: Uma proposta de uso pedagógico dos recursos computacionais
Equipe de elaboração:
Andrezza Maria Batista de N.Tavares (Professora na E.M.Francisca Ferreira),
Alcir Santos de Lima (Professor na E.M.Luiz Maranhão),
Carlos Antônio da Cunha (Professor na E.M.Francisca Ferreira),
Flávia Lopes Gomes (Professora na E.M.Mário Lira),
Geraldo da Nóbrega (Professor na E.M.Celestino Pimentel),
Josely de Oliveira Freitas (Professora na E.M.Mário Lira),
Lindaura de Barros Lima (Professora na E.M.Francisca de Oliveira),
Maria Ednar Silva Braga (Professora na E.M.Mário Lira),
Maria de Fátima do Nascimento (Funcionária na E.M.Francisca de Oliveira),
Maria Litácia Marcelina Pires (Professora na E.M.Celestino Pimentel),
Maria da Piedade de Melo Silva (em memória),
Maria Soraia de Alboquerque Melo (Funcionária na E.M.João Paulo II),
Nailly de Brito Saldanha (Professora da E.M.Francisca Ferreira),
Suzana de Santana Travassos (Funcionária na E.M.João Paulo II).
Professor Orientador:
Denilton Silveira de Oliveira.
"Contrariando o que muitas pessoas pensam, o computador não poderá substituir o professor. O processo ensino–aprendizagem não será privado das relações humanas imbuídas de emoção e afetividade, pois o professor é fundamental para desenvolver as habilidades, o lado afetivo e os valores de cada aluno. Logo, o grande desafio que as novas tecnologias trazem para o educador é transformar o aluno em agente do seu próprio desenvolvimento intelectual, afetivo e social (Imbernón, p.30, 2005)."
Sumário:
1. Apresentação
2. Justificativa
3. Objetivo Geral
3.1. Objetivos Específicos
4. Fundamentação Teórica
5. Atribuições do Professor Regente do Laboratório de Informática
6. Procedimentos Metodológicos
7. Conteúdos Conceituais e Procedimentais Básicos para as Escolas com Laboratórios de Informática
8. Do Corpo Discente dos Laboratórios de Informática
9. Recursos Básicos para o Funcionamento dos Laboratórios
10. Normas para Funcionamento dos Laboratórios de Informática nas Escolas
11. Pré-requisitos para Atuar como Professor Regente dos Laboratórios
12. Avaliação
13. Referências
1. Apresentação
O presente documento configura um projeto que pretende balizar, ou mesmo, fundamentar o trabalho pedagógico, que venha a ser desenvolvido nas Escolas, com apoio das tecnologias da informação e comunicação. Nele os diversos segmentos das comunidades escolares: equipes pedagógicas, equipes administrativas e alunos, encontrarão uma fonte de inspiração e um conjunto de orientações que regulamentarão o trabalho a ser operacionalizado nos laboratórios de informática das Escolas da Rede Municipal de Ensino.
2. Justificativa
A influência da informática, hoje em dia, é tão vasta que, atinge praticamente todas as atividades da prática social, quais sejam: comércio, indústria, serviços, atividades desenvolvidas nas próprias residências e até mesmo no lazer. Obviamente, a informatização por sua própria natureza recente e complexa necessita ser democratizada notadamente em países em desenvolvimento, em regiões periféricas do sistema capitalista, para que as realidades da exclusão social, da alienação e da desinformação sejam superadas e a formação de cidadãos críticos e atuantes na sociedade contemporânea seja alcançada.
Sem dispor de informações básicas sobre a informatização, os cidadãos restringem sua participação social e, também, o processo de tomada de decisão, fator esse que inviabiliza a operacionalização de uma efetiva democracia.
Nesse sentido, é imprescindível que a escola desenvolva propostas pedagógicas que fundamentem os saberes científicos por meio da utilização das novas tecnologias, facilitando com isso a internalização desses saberes por meio da incorporação de recursos informáticos no cotidiano da comunidade escolar. A informática amplia possibilidades psicológicas humanas (atenção, percepção e memória), bem como possibilita que a vida das pessoas possa ser prazerosa e prática.
3. Objetivo Geral
Viabilizar o uso da informática nas Escolas Municipais de Natal, para que se constitua em uma ferramenta didática que facilite e motive o processo ensino-aprendizagem das diversas áreas do conhecimento educacional.
3.1. Objetivos Específicos
a) Criar novas formas de construção do conhecimento nos ambientes escolares, através do uso adequado das novas tecnologias, visando melhorar a qualidade do processo ensino-aprendizagem;
b) Envolver alunos que se destacam nas aulas do laboratório, para organizar atividades de extensão com a comunidade;
c) Articular os diversos espaços pedagógicos na escola (sala de vídeo, laboratórios de ciências, biblioteca e sala de leitura), para tornar o processo ensino aprendizagem mais significativo e contextualizado;
d) Facilitar o processo de informatização e comunicação entre as Escolas Municipais de Natal que dispõe de laboratórios de informática, para ampliar os espaços/tempo do processo ensino-aprendizagem através da troca de experiências;
e) Disseminar as tecnologias de informática nas escolas de maneira a possibilitar um significativo padrão de qualidade na educação e modernizar o cotidiano escolar, proporcionando, ainda, a inserção deste aluno cidadão, nos mais variados contextos sociais.
f) Desenvolver projetos em parceria com a comunidade escolar, para tornar a Escola um espaço de inclusão e socialização ampla de conhecimento junto a sociedade.
g) Desenvolver projetos em parceria com outras instituições que prestam serviços comunitários sem fins lucrativos (ONGs, Unidades de saúde, creches, igrejas, conselhos comunitários e outros), para ampliar ainda mais esta socialização.
4. Fundamentação Teórica
A escola e sua relação com a informatização
A Escola, diante da necessidade de introdução das Tecnologias da Informação e Comunicação, tem permanecido alheia aos novos desafios, embora declare em suas propostas o desejo e a intenção de preparar o cidadão, tornando-o capaz de situar-se de forma crítica diante do mundo em transformação. Acontece que formar cidadãos críticos para um mundo de incertezas e de verdades provisórias exige, mais do que nunca, uma escola dinâmica, permanentemente “conectada” ao mundo, preparada para operar as mudanças necessárias. E, portanto, organizada em bases totalmente diferentes daquelas em que sempre operou, capaz de rever-se e de avaliar os resultados do seu trabalho de forma objetiva e imparcial.
O maior desafio talvez esteja no fato de que não se trata mais de garantir ao aluno o maior número de informações, mas sim de formar pessoas para se auto-realizarem, preparadas para “aprender a aprender”. As transformações, entretanto, não devem ocorrer por imposição e sim por força da reflexão consciente por parte de seus membros e de toda a comunidade que compõe a escola, promovendo o envolvimento e a concentração de esforços para o processo de mudança.
Existe uma forte tendência a mitificar os computadores, como se a modernização fosse uma simples decorrência da introdução dessa tecnologia, garantindo assim a transformação necessária no ensino e na Educação. A modernização não é algo que se pode comprar pronto, mas é fruto de um processo e, portanto, deve ser construída. E esse processo é intransferível, isto é, terá que desenvolver-se dentro de cada contexto e de acordo com sua realidade específica. O desenvolvimento é produzido na medida em que o homem está no comando do processo, do qual a máquina é apenas um elemento.
Portanto, a modernização da escola com vistas à transformação não ocorrerá com a simples aquisição de computadores, mas é necessário que a comunidade escolar se constitua numa equipe que assuma esse trabalho enquanto grupo. E que compreenda as transformações ocorridas em relação ao conhecimento na sociedade atual.
A essência da mudança e do próprio processo de modernização está no ser humano, que tem poder de decisão para assumir suas próprias construções, uma vez que ele se torna consciente da sua relação de reciprocidade com o social.
A tecnologia na Educação encontrará seu espaço, desde que haja uma mudança na atitude do professor, que deve passar por um trabalho de autovalorização, enfatizando seu saber para que possam apropriar-se da tecnologia, com o objetivo de otimizar o processo de aprendizagem. A mudança de atitude é uma condição necessária, não só para a equipe pedagógica, como também para as equipes técnicas e administrativas, pois estas devem conceber a sua posição e a sua autoridade de forma diferente – como agentes formadores, incentivadores, atuando, sobretudo, como mediadores do processo e co-participantes do trabalho escolar.
A comunicação deve ser reavaliada em termos de importância no ambiente escolar, já que, em razão dos avanços tecnológicos, consegue romper antigos problemas de tempo/espaço e possibilita um maior movimento de idéias e atitudes que dão vida à escola. Enfim, o que se propõe é a inserção da escola no mundo real, numa sociedade que assume características totalmente distintas e que, exatamente por isso, requer uma formação diferente, em novas bases, realizada em uma escola totalmente reformulada, menos burocratizada, livre para permitir o desenvolvimento de pessoas criativas. Nessa nova escola, certamente um ponto importante é a garantia de que aí poderá ser construído o conhecimento, da mesma forma que estarão sendo criadas oportunidades de reconstrução de conhecimentos existentes.
Portanto, mais do que local de simples transmissão, a escola será o local privilegiado para a convergência de diferentes saberes, o seu confronto e o surgimento de idéias novas.
O computador integrado às práticas de sala de aula funciona como um catalisador para a criação de ambientes de aprendizagem interdisciplinares, cujos elementos fundamentais são os autores e atores desse ambiente: os professores e os alunos. Dele também fazem parte as demais tecnologias disponíveis, outros recursos (vídeos do Programa TV Escola, textos de livros, artigos de revistas e jornais etc.) e, principalmente, todo o sistema de relações que os sujeitos estabelecem. Esses ambientes são criados de forma a favorecer a proposta de desafios e explorações, conduzir a descobertas, resolver situações-problemas ou implementar projetos, promovendo a contínua construção do conhecimento.
As atividades de uso do computador desenvolvidas com o aluno surgem de um tema emergente no contexto ou de uma questão que se deseja investigar – o que leva à elaboração e ao desenvolvimento de um projeto e instrumentaliza o aluno para ser o sujeito de sua história. Dessa forma, com o intuito de promover a compreensão dos problemas atuais, o professor ouve seus alunos, considera suas preocupações, suas necessidades e seus interesses para promover a construção de conhecimentos que levem a compreender e transformar o presente, tendo em vista a formação de uma sociedade mais participativa e igualitária.
Os temas transversais são um ponto de partida para investigar questões relacionadas a fatores éticos, econômicos, convívio social, preservação da natureza, biodiversidade, poluição, qualidade da água, recuperação dos espaços escolares, aproveitamento do lixo orgânico etc., bem como para estabelecer conexões com diferentes áreas do conhecimento, tais como Ciências, Programas de Saúde, Geografia, História, Língua Portuguesa, Matemática, Artes, Biologia, Física, Química etc. Mas o professor precisa estar atento para explicitar esse trabalho em um plano flexível e continuamente revisto e que contenha: o delineamento do problema, o público-alvo, os objetivos, a metodologia, os recursos previstos inicialmente a ser empregados (disponíveis e a providenciar), o cronograma das atividades etc.
O computador e o prazer de aprender e ensinar
O computador está trazendo uma nova forma de aprender e um novo interesse pela escola. Como aliado no processo educativo, ele pode se tornar um catalisador de mudanças. Por meio dele, cria-se a possibilidade de o aluno aprender “brincando”, construindo o seu próprio conhecimento. Além disso, o computador transforma o ensino tradicional em aprendizado contínuo, facilita o diálogo e a troca entre os diferentes sujeitos, a valorização das potencialidades e das habilidades de cada um, com a vantagem extra de ajudar o educador e o educando a se tornarem parceiros.
Com as simulações, o computador permite ao aluno o fácil e rápido acesso a recursos jamais imaginados para explicitar seu pensamento, desenvolver projetos, testar hipóteses, refletir sobre os resultados e, finalmente, construir novos conhecimentos. Com a Internet, por exemplo, ele poderá buscar informações e trocar idéias com pessoas de qualquer lugar do mundo.
Não devemos esperar que o computador traga uma solução mágica para a Educação, mas, certamente, poderá ser usado pelo professor como um importante instrumento pedagógico. Sabendo explorar esta ferramenta e trabalhar sobre projetos que surgirão na sala de aula, o educador poderá proporcionar uma aprendizagem contextualizada e significativa. O aprendizado deixa de ser fragmentado e os projetos podem envolver diferentes disciplinas, tornando o ensino cooperativo e interdisciplinar e a avaliação formativa e construtiva.
Contrariando o que muitas pessoas pensam, o computador não poderá substituir o professor. O processo ensino–aprendizagem não será privado das relações humanas imbuídas de emoção e afetividade, pois o professor é fundamental para desenvolver as habilidades, o lado afetivo e os valores de cada aluno. Logo, o grande desafio que a nova tecnologia traz para o educador é transformar o aluno em agente do seu próprio desenvolvimento intelectual, afetivo e social.
Assim, o professor precisa estar preparado para o uso desta tecnologia que contribuirá para que a Educação deixe de ser mera transmissora de informação para ser promotora da construção do conhecimento pelo aluno. Seu papel será, mais do que nunca, fundamental no ensino–aprendizagem, pois a ele caberá ser o mediador desta nova construção do conhecimento. Mas isso não basta: é preciso haver também uma mudança na escola e a valorização do educador na sociedade, mostrando sua importância na formação dos futuros cidadãos. Afinal, além de ajudar no desenvolvimento do aluno para a vida profissional, o educador deve ser o parceiro dos pais na responsabilidade de formá-lo integralmente, como um ser em sua totalidade.
Um compromisso com a transformação
Para que ocorra a mudança no processo ensino–aprendizagem, para que se use o potencial da nova tecnologia de forma adequada, é necessário o comprometimento dos envolvidos não apenas no sistema educacional, mas também da comunidade em geral.
Esta nova escola deve dar ao professor a oportunidade de buscar a sua própria transformação para atuar como facilitador da aprendizagem, abrindo espaço para que ele dê movimento ao ambiente. Deve contribuir para que, na relação com o aluno, mediado pelo computador, o educador consiga tornar a aprendizagem algo estimulante, significativo, contextualizado e criativo. Deve ter um espaço onde a comunidade – constituída por professores, alunos, pais de alunos, dirigentes e a sociedade em geral —, busque atingir objetivos que reafirmem o desenvolvimento integral do aluno.
Novas tecnologias em educação: modismo ou mudança?
A sociedade contemporânea encontra-se fortemente influenciada pela presença da tecnologia. Praticamente todos os campos da ação humana estão envolvidos com mediadores informáticos ou telemáticos, que interferem nas relações humanas, imprimem às comunicações um caráter de interdependência e simultaneidade e levam as pessoas a imergir no mundo virtual, transformando sua visão de homem e de mundo.
A velocidade, o aumento de produtividade, a comunicação instantaneamente, cada vez mais, com todos os lugares e com maior número de pessoas, leva o homem a adquirir os melhores equipamentos do momento, os mais velozes e com maior capacidade de armazenamento das informações. O homem vive o modismo tecnológico. Quer utilizar a tecnologia para ter acesso a qualquer parte do mundo, que o permita tanto obter informações que possam ajuda-lo a adquirir uma melhor compreensão da atualidade, quanto representar a forma de ver o mundo contextualizado. Ao mesmo tempo em que o desenvolvimento da tecnologia permite o acesso e a seleção de informações, a interação entre as pessoas, o desenvolvimento de novos conhecimentos, provocando maior emancipação do homem, paradoxalmente, gera novas formas de manipulação da Ciência, dos homens e das entidades sociais.
Assim, a tecnologia propicia o desenvolvimento de novos meios de manipulação que podem ser empregados tanto para a libertação e emancipação do homem, quanto para sua dominação. Como assinala Linard: “fazem-se máquinas a serviço do homem e põem-se os homens a serviço das máquinas. E, finalmente, vê-se muito bem como o homem é manipulado pela máquina e para a máquina, que manipula as coisas a fim de libertá-lo” (Linard, 1990: 109). Cabe ao homem optar se quer empregar a tecnologia para a emancipação ou para a sua dominação.
Para que as novas tecnologias, especialmente o computador e a telemática, sejam empregadas como instrumentos de emancipação do homem, a relação homem-máquina deve se estabelecer em um ambiente onde o conhecimento é considerado em sua multidimensionalidade –, o homem é o ser que se coloca nesse ambiente em sua totalidade de sujeito crítico e criativo e as tecnologias são empregadas na resolução de problemas significativos. Portanto, procuram-se utilizar as tecnologias como instrumentos tutorados pelo homem, estabelecendo com as mesmas uma “relação de interação – relação dinâmica entre ação e operação mental que suscita o pensamento, sem no entanto determiná-lo” (Almeida , 1996: 22).
Não se quer propor a total substituição dos espaços escolares pela comunicação em redes de comunicação à distância, mas a integração entre os distintos espaços de produção do conhecimento. O contato físico entre as pessoas é primordial e a escola é um espaço privilegiado de interação social, que precisa estar interligado e integrar-se aos demais espaços de conhecimento – promovendo a comunicação e a cooperação entre alunos, professores, pesquisadores, especialistas em áreas específicas. Juntos, eles construirão as pontes entre conhecimentos, valores, crenças, usos e costumes, favorecendo maior compreensão contextual e global, bem como a proposição e o desenvolvimento de ações em prol da transformação social.
Desta forma, os espaços escolares serão redimensionados, pois as atividades educacionais se estenderão para além das paredes da sala de aula e dos muros das escolas, continuando a ocorrer em diferentes locais.
É impossível, ainda, imaginar até onde poderão chegar às potencialidades das novas tecnologias de informação e comunicação. Não se sabe a extensão da revolução que sua utilização está provocando em termos de relações humanas, conhecimento, percepção de homem, de sociedade, de mundo e de Educação.
Concebe-se a utilização das novas tecnologias em Educação como dispositivos que mediam e influenciam as representações e não somente como instrumentos de transmissão de informações e de resposta aos nossos objetivos propostos. Mas não se recusa a racionalidade técnico-operatória nem as ciências exatas –, ao contrário, o conhecimento sobre as potencialidades e limitações do uso das novas tecnologias em Educação, permite utilizá-las não para nos anestesiar navegando em um universo de informações (nem para dissimular o real, a fim de aproximá-lo do ideal), mas para melhor aprender, pensar com, pensar sobre si mesmo, pensar com o outro, pensar sobre o ensinar e o aprender.
Liberdade, ação e computador
Com certeza, depois da avalanche de tecnologias internéticas e hipertextuais, elas impõem novas categorias cognitivas e novos conceitos de exercício de política.
Influenciados pelas mídias eletrônicas que bombardeiam o homem moderno com novas modalidades de conhecer, perceber, memorizar e comunicar. Suas reações sociais, suas formas de participação e de organizações políticas se alteram. Algumas para melhor, aguçando a sua sensibilidade, outras tornando-o dependentes da própria linguagem da mídia e de seus símbolos.
Ora, se os meios moderníssimos de comunicação impingem modelos e valores ao homem e, por conseguinte educa-o, com muito mais força os profissionais da educação, deve-se, então, apropriar-se dessas tecnologias e imprimir-lhes o seu cunho educacional.
Dessa forma, o cunho educacional que se busca é da formação de valores de cidadania, de verdade, de ética, de melhor comunicação entre todos os homens, de senso de estética, da democracia, do espírito de cooperação. O potencial da tecnologia é incontestável.
Ela representa, na prática, a ampliação das capacidades humanas. Assim como as máquinas, nas indústrias têxteis, eram o prolongamento dos braços humanos, o computador amplifica no homem, a falas, os ouvidos, os olhos, a memória, a percepção. Amplia-se muito o campo de comunicação entre os homens, abrindo-lhes horizontes, diversificando centrais de informações, disseminando centros de interesse e diversidade de pontos de vista e linguagens. Não pela qualidade intrínseca dos meios, mas pela lutas ideológicas, políticas e educacionais que se estabelecem a partir deles. O potencial humanizador dessa tecnologia é magnífico!
É um momento ímpar de aumentar a liberdade humana, facilitando, por meio da Educação, que todos possam se apropriar de tais tecnologias. Mas essa tecnologia não é dócil. Para dominá-la, temos que desenvolver, como educadores, cinco habilidades básicas:
• domínio dos conteúdos específicos das áreas do saber;
• clareza dos problemas que se pretende resolver;
• sabedoria para trabalhar em grupo;
• desenvolvimento de uma prática pedagógica reflexiva;
• trabalho articulado e cooperativo com as diferentes áreas do conhecimento, como as Ciências, as Artes, a Filosofia, as Matemáticas e a História.
Tecnologia e reflexão sobre o papel do professor
O professor não caminha à frente do aluno, mas junto com ele, promovendo sua aprendizagem, fazendo intervenções segundo o seu estilo de pensamento, questionando-o para desestabilizar as certezas inadequadas, incitando-o a buscar informações em diferentes fontes ou, quando necessário, fornecendo-lhe as informações demandadas pela situação, ajudando-o a encontrar por si próprio a resposta para sua questão ou situação-problema.
Para assumir essa perspectiva em que a prática pedagógica com o uso das novas tecnologias é concebida como um processo de reflexão–ação, o professor precisa ser capacitado para dominar os recursos tecnológicos, elaborar atividades de aplicação desses recursos, escolhendo os mais adequados ao alcance dos objetivos pedagógicos, analisar os fundamentos dessa prática e as respectivas conseqüências produzidas em seus alunos.
Ao assumir essa postura, o professor toma consciência de sua prática, analisa as conseqüências de suas intervenções, empregando teorias educacionais e conhecimentos específicos para compreender as situações criadas na aula, bem como as atitudes manifestadas pelos alunos, criando estratégias flexíveis e adequadas ao momento.
Concordando com Nóvoa, consideramos que “formação não é qualquer coisa prévia à ação, mas que está e acontece na ação” (Almeida, 1996: 56), ou seja, as ações de formação de professores para o uso pedagógico do computador segundo uma perspectiva crítico-reflexiva, são contextualizadas no locus educacional. Dizer que a formação é contextualizada não significa apenas que ela se realiza no âmbito da escola. Trata-se de uma formação contínua, na qual formadores e formandos participam de um processo de formação-ação coletiva, cuja tônica é o desenvolvimento de projetos cooperativos. Todos são aprendizes em contínua interação, trocando experiências e ajudando-se mutuamente, aprendendo em ação, com a reflexão e depuração que se desenvolve antes, durante e após a ação. Estabelece-se uma “praxis contextualizada”, cujas “freqüências das interações e comunicações são indicadores de mudanças gestadas nas escolas”, conforme ressalta Imbernón (1998: 96, 97).
Quanto maior a participação do corpo de educadores da escola nessa formação contínua, compreendendo tanto o envolvimento dos professores quanto das lideranças educacionais; e quanto maior o nível de colaboração, participação e articulação entre todos os envolvidos nas decisões sobre o currículo e a gestão da formação, maior será a possibilidade de sucesso da integração do computador na prática pedagógica, segundo uma perspectiva de transformação do processo educacional.
5. Atribuições do Professor Regente do Laboratório de Informática.
5.1 Desenvolver ações metodológicas articuladas com o planejamento do professor de sala de aula responsável pelo ensino-aprendizagem do conhecimento específico, inclusive no laboratório.
5.2 Atender aos alunos nos espaços do laboratório acompanhados de seus professores de sala de aula.
5.3 Motivar para que professor, aluno, e qualquer outro membro da comunidade escolar, tenham acesso ao laboratório de informática. Para isso, trabalhar com o sistema de agendamento e/ou cronogramas de encontros.
5.4 Zelar pela ambientalização da sala e pela organização do software e hardware do laboratório, disponibilizando um dia na sua carga-horária de trabalho para efetivação de tal atividade de manutenção.
5.5 Atuar como parceiro do professor regente de sala de aula.
5.6 Comunicar ao Núcleo de Tecnologia Educacional ([[SME/NTE-Natal]]) quando da disfunção de algum dos recursos que compõe os laboratórios.
5.7 Elaborar cronogramas de acordo com a culminância dos projetos para divulgação do trabalho desenvolvido nos laboratórios.
5.8 Promover e participar de encontros entre os professores dos laboratórios de uma mesma escola para que o planejamento seja articulado. Os encontros devem ser periódicos, aproveitando para que seja cumprido o item 6.4 dessa proposta.
5.9 Participar da elaboração dos encontros promovidos mensalmente pelo NTE/SME.
5.10 Atuar como orientador das atividades realizadas no laboratório no contexto dos trabalhos pedagógicos desenvolvidos com a comunidade, por meio da metodologia de Projetos.
5.11 Elaborar normas para funcionamento satisfatório dos laboratórios.
6. Procedimentos Metodológicos
Aqui estão alguns exemplos ou pequenas sugestões que devem ser reelaboradas e apropriadas a cada situação específica, segundo os objetivos pedagógicos da atividade previamente planejada para a evolução da aprendizagem do aluno. Certamente, à medida que o professor vai explorando e dominando melhor os recursos do programa, ele mesmo terá outras idéias mais significativas do que estas:
• A CRIAÇÃO COLETIVA DE DESENHOS ou cenários sobre determinado tema é um trabalho interessante e promove situações de colaboração, troca, respeito ao outro etc. que devem ser discutidas coletivamente para dar continuidade à atividade de acordo com os objetivos pedagógicos.
• A REPRESENTAÇÃO DE UM ESPAÇO por meio da elaboração de uma planta baixa favorece o desenvolvimento da orientação espacial, propicia a visualização, interpretação e análise da forma como as relações são percebidas. Esses espaços podem ser locais significativos na vida dos alunos, tais como a escola, a residência, um local visitado anteriormente e que está sendo objeto de estudos (museu, parque, marco representativo de certo acontecimento histórico...).
• A ELABORAÇÃO DE MAPAS ou de guias de ruas, bairros, cidades, itinerários de ônibus, caminhos percorridos pelo aluno ao se deslocar para a escola, roteiros de viagens, excursões etc., favorece a compreensão dos espaços, de sinais de trânsito e símbolos gráficos, bem como a análise de importantes fatores que influem na vida de cada comunidade e caracterizam cada local.
• A REPRESENTAÇÃO DA LINHA DO TEMPO, que revela a evolução de determinados acontecimentos ou fatos históricos e, principalmente, a própria vida do aluno, é uma atividade que promove a compreensão histórica e ajuda o aluno a situar-se como sujeito de seu tempo.
• A RECONSTRUÇÃO DE HISTÓRIAS DA LITERATURA INFANTO-JUVENIL, nas quais os alunos se colocam como personagens e desenvolvem em conjunto outras atividades, como encenação teatral, é uma estratégia que facilita a compreensão da literatura e pode desenvolver o prazer pela leitura.
• EM MATEMÁTICA, O PROFESSOR PODERÁ UTILIZAR AS FIGURAS GEOMÉTRICAS para trabalhar conceitos de semelhança e proporcionalidade, representação de diagramas, operações aritméticas, frações e outros conceitos cuja representação, por meio de desenhos elaborados pelos alunos, permite que o professor provoque a reflexão e a interpretação do seu significado.
• CARTA - CORRESPONDÊNCIA - Para a conceituação, diferenciação e análise dos diversos tipos de correspondências, pode-se elaborar um projeto de produção de cartas, envolvendo os mais diversos temas e integrando o conteúdo dos textos a ilustrações, cabeçalhos, rodapés etc.
• CONCURSO DE CARTAS/CARTÃO - O concurso tem por finalidade aliar a criatividade da produção visual à consistência de texto. O ideal é fazer vários tipos de correspondência, valorizando diversas formas de expressão escrita.
• PRODUÇÃO DE JORNAIS - A produção de jornais apresenta inúmeras possibilidades e coloca o aluno em contato com a linguagem informativa, aproximando-o de fatos cotidianos. Veja alguns exemplos: Notícias através dos tempos (comparação histórica) - Pode-se estabelecer uma análise comparativa entre notícias atuais e fatos históricos. Jornal da escola - A produção do jornal escolar objetiva levar informações sobre as atividades desenvolvidas na escola aos seus alunos e à comunidade. Jornal temático - A escola elege um tema a ser trabalhado sob os diversos aspectos abordados pelas disciplinas. A partir da realização deste trabalho, produz-se um jornal que permita ao aluno perceber as várias faces do conhecimento.
• CONVITES DOS EVENTOS DA ESCOLA - A produção de convites para eventos a serem realizados na escola envolve o conhecimento sobre a atividade em questão e noções básicas de organização e comunicação na transmissão de informações.
• CARTAZES INFORMATIVOS - A produção de cartazes informativos valoriza a comunicação na comunidade escolar – desde a indicação de salas até informações sobre atividades –, despertando o interesse do aluno para participar das atividades do cotidiano.
• REDAÇÃO, HISTÓRIAS E POEMAS - É possível elaborar um livro de histórias e/ou de poemas. Essas atividades podem ser feitas individual ou coletivamente, cada uma com sua riqueza para a aprendizagem. A elaboração coletiva possibilita a conexão e a aceitação de idéias entre os alunos, podendo ser realizada entre grupos de uma classe ou entre classes diversas. Ou entre alunos de diferentes escolas que se comunicam a distância e trabalham de forma cooperativa.
• CLASSIFICADOS - Felicitações de formatura, aniversários, casamentos, seção de trocas e vendas...
• CHARGE - É um tema editorial apresentado com humor, na forma de desenho.
São, ainda, sugestões de estratégias metodológicas, para professores de sala de aula e professores de laboratórios: Aulas expositivas, problematização, construção de texto coletivo, desenho livre, ditado de palavras, pesquisa, aplicação de atividades significativas, releitura de artes, jogos didáticos e música.
7. Conteúdos Conceituais e Procedimentais Básicos para as Escolas com Laboratórios de Informática.
a) Sistema operacional Línux, tux paint, open office writer (Word), abiword, open office impress (pawer point), open office calc (excel) , firefox ou mozilla (internet), identificar e operacionalizar os principais componentes de um computador: mouse, teclado, estabilizador, gabinete, monitor e impressora, a história do computador, a importância da informática no cotidiano.
b) Conhecer os objetivos do computador na escola, conhecer normas do laboratório, ligar e desligar o computador com segurança, manusear o mouse, imprimir e expor trabalhos.
8. Do Corpo Discente dos Laboratórios de Informática
Poderão constituir o corpo discente dos laboratórios das Escolas Municipais: os alunos de todos os níveis, anos e séries matriculados nas instituições, o corpo docente, os funcionários, os gestores e a comunidade.
9. Recursos Básicos para o Funcionamento dos Laboratórios
9.1 Materiais:
Computadores, quadro branco, cadeiras, mesas, ar condicionado, lixeiras, mural, impressora, armário, placa de vídeo com saída para TV e uma TV de 29 polegadas, câmera digital, filmadora, kit de ferramentas para a manutenção e scanner.
9.2 Pessoais:
O professor capacitado pela SME por meio do NTE (professor do laboratório) e o professor de sala de aula.
9.3 Financeiros:
A SME deverá disponibilizar recursos necessários para compra de materiais de consumo (tinta, papel, CDs, disquetes, lápis para quadro branco, fita adesiva, material de limpeza das máquinas e outros).
10. Normas para Funcionamento dos Laboratórios de Informática nas Escolas
10.1 Nenhum recurso material que compõe o laboratório poderá ser retirado do mesmo.
10.2 O laboratório só poderá ser utilizado com a presença do professor de laboratório, sendo assessorado pelo professor de sala de aula.
10.3 Os usuários deverão manter as condições de higiene adequadas (evitar suor, alimentos, entre outros possíveis poluentes).
10.4 A internet será utilizada eminentemente para atividades de pesquisa científica. Nunca devendo ser utilizada para outros fins.
11. Pré-requisitos para Atuar como Professor Regente dos Laboratórios.
Para exercer a função de professor regente de laboratório faz-se necessário a certificação de curso promovido pelo NTE/SME que comprove a formação necessária.
12. Avaliação
12.1 DOS ALUNOS:
poderá ser realizada pelos professores de sala de aula por meio da análise dos registros dos alunos contidos em pastas virtuais criadas nos computadores.
12.2 DAS ATIVIDADES DO LABORATÓRIO:
serão realizadas avaliações, de acordo com os objetivos geral e específicos propostos no presente documento, nas reuniões periódicas entre os professores regentes dos laboratórios de uma mesma escola e professores capacitados pelo NTE/SME, considerando sempre a opinião e representações provenientes da comunidade escolar como um todo.
13. Referências
VALENTE, J. A. “Formação de Profissionais na Área de Informática em Educação” , in Valente, J.A. (org.). Computadores e Conhecimento: Repensando a Educação. Campinas, Gráfica Central da Unicamp, 1993.
DEMAILLY, L. C. “Modelos de formação contínua”, in Nóvoa, A. (org.). Os Professores e a sua Formação. Lisboa, Portugal, Dom Quixote, 1992.
SCHÕN, D. A. “Formar professores como profissionais reflexivos”, in Nóvoa, A. (org.). Os Professores e a sua Formação. Lisboa, Portugal, Dom Quixote, 1992.
NÓVOA, A. Os Professores e a sua Formação - Formação de Professores e Profissão Docente. Lisboa, Portugal, Dom Quixote, p. 27, 1992.
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